Estava anoitecendo e ela estava deitada, ali quieta na sua cama. Apesar de o dia ser como os outros, foi cansativo. Ela deitava de mal jeito, com as costas viradas para parede e mechia em um pequeno negócio que refletia uma luz por baixo do lençol. Era o seu celular. Ela via fotos e ouvia músicas e também lia aquelas mensagens que estavam guardadas. Ela parecia ser como as outras garotas, porem era bastante quieta. Não gostava de coisas coloridas ou algo que representasse a felicidade. Ela era bem calma, suas roupas eram sempre pretas ou brancas. Seus tênis, não eram os mais caros nem os da moda, eram velhos da cor preta e branca. Ela tinha cabelo da cor do sol, mas queimadinhos. Os olhos dela castanhos, porem, contornados por verde escuro. Eram lindos, ela era linda. Mas ela não conseguia enxergar isso. Seus pais não enxergava uma filha admirável, na verdade ela sentada em uma cadeira, é como se não estivesse ali, como se não existisse. Seus irmãos, porém, faziam questão de inventar todos os dias uma piadinha nova sobre sua aparência ou como ela era excluida na escola. A noite passou e a garota estava deitada, não se mexia nem resmungava, só observava o teto, como se ali estivesse algo interessante. O sol começou a aparecer e mais uma vez ela se levantará para aguentar aquelas pessoas que riam sempre quando ela passava pelo corredor da escola. Ela respirou, calma, sentou na última carteira, olhou para o quadro negro onde o professor escrevia os deveres, tirou uma folha amassada da bolsa e começou a desenhar e rabiscar palavras. Ela ficava assim, as aulas todas, ouvindo música, olhando o celular e rabiscando uma folha amassada. Passou o dia e la estava ela, na sua cama, ouvindo sua mãe gritar para ela jantar, mas ela não deu a minima. Como todas as noites, observou o teto e logo de manhã levantou da cama, se vestiu e saiu para o caminho da escola. Passou por um grande rio onde as aguas se aumentavam conforme as chuvas caiam de madrugada. Ela observou bem e continuou o caminho da escola. Ouviu as mesmas piadas do dia anterior, sentou na última carteira e tirou a folha amassada. Começou a rabiscar, porem, na segunda aula ela tirou uma folha limpa, e la escreveu um pequeno texto e guardou na bolsa. Anoiteceu e ela deixou aquela folha em sua cama e saiu de casa. Ela passou pela sala onde estava seu irmão que nem notou sua presença. Após três dias… Amanheceu e uma mulher subiu as escadas, reclamando: “Você esta ai? Por que ainda não desceu?” A cama estava vazia junto a uma folha. Lá dizia: “Talvez esteja gastando a tinta dessa caneta atoa, afinal ninguém irá ler, mas caso leia, bom, meu corpo esta no rio á caminho da escola. Estou bem melhor agora, talvez, não importa. Poupem suas lágrimas, não irá fazer diferença. Afinal, enquanto estava viva vocês sequer se importaram. Os dias não irão mudar, não se preocupem. Ninguém irá sentir a minha falta, na verdade, só aquelas pessoas desoculpadas que faziam piadas das minhas roupas, mas elas superam. Só estava cansada de decepções e das pessoas. Elas me dão nojo. Confesso, estava com medo, mas não aguentava mais. Então juntei minhas forças e fiz, simplesmente, passei noites pensando em como seria, se iria doer ou não, mas agora não importa mais, já esta feito, é tarde demais. Adeus, passem bem.
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forlandivar)